
A névoa ainda tocava o chão quando ela saiu de casa.
Na noite passada havia chovido, mas isso não era obstáculo para ela. Adorava correr. O prazer que sentia quando a bruma leve lhe molhava o rosto e o orvalho lhe encharcava a roupa não poderia jamais ser comparado a outra coisa.
Além do mais, precisava correr. Precisava manter a mente longe de casa, perdida entre estradas vazias e sol ameno. Detestava pensar no dia após a rotina matinal. Tantas preocupações e problemas. Nunca se sentia leve: a vaidade, o orgulho, a sensatez lhe pesavam os ombros. Mas agora não. A estrada não precisava de nada disso. Não lhe exigia isso.
Ela não usava batom, nem penteava os cabelos do mesmo jeito "um pouco para o lado" de sempre ou usava sapatos carmim envernizados. Nada lhe importava.
Só manter a respiração lhe bastava. E o sorriso.
ps.: desesperada necessidade de fazer algum exercício. E desculpa para ficar um pouco sozinha.
ps.2: Inspirado num trecho do filme "Do que as mulheres gostam".